Dois Tipos de Aprendizado
O que é: Framework que distingue dois tipos fundamentalmente diferentes de aprendizado — cada um requerendo um ambiente e uma abordagem diferentes.
Para que serve: Entender por que treinamentos corporativos tradicionais (investimento de $200B/ano globalmente) raramente produzem transformação real, e como criar espaço para o tipo de aprendizado que de fato muda carreiras e organizações.
O ponto de partida: aprender é trabalho
A maior ilusão sobre aprendizado é que ele acontece ao lado do trabalho ou no intervalo do trabalho. Na prática, aprender é trabalho — e frequentemente o trabalho mais difícil, especialmente em carreiras e organizações bem-sucedidas, onde a pressão por desempenho e a vergonha de exposição são maiores.
“Nada realmente novo, nada que importe, é aprendido facilmente.” — Gianpiero Petriglieri (INSEAD)
Dois tipos
Aprendizado Incremental
Adaptação de hábitos e competências dentro de um sistema existente.
Ambiente: Centros de treinamento formais; workshops com experts; benchmarking; simulações; planos de carreira definidos
Como funciona:
- Alinha hábitos às normas existentes
- Adapta-se a ideais apresentados por especialistas e autoridades
- Reforça a estrutura de poder existente
- Foco: passado (lições de pesquisas acadêmicas e benchmarks) e futuro prescrito (aspirações dos líderes nos planos de carreira)
Quando usar: Quando o passado ainda é um guia útil; quando se trata de aprimorar dentro de uma trajetória conhecida
Aprendizado Transformacional
Aprender a partir da experiência no presente — especialmente quando o passado se tornou obstáculo e o futuro é incerto.
Ambiente: “Playgrounds” — estruturas com clareza suficiente para orientar, mas abertas o suficiente para não prescrever a resposta. “Convocações para inovação ou inclusão que não dão detalhes sobre tipo de inovação ou quem incluir.”
Como funciona:
- Aprende a partir de momentos vividos, não de modelos
- Experts têm papel de apoio (estimulam engajamento, guiam reflexão), não de prescrição
- Foco: experiência no presente
5 movimentos do aprendizado transformacional:
- Observar — prestar atenção à experiência no presente; o que é fácil ver/fazer? O que está sendo perdido? Isolar pensamentos de passado e futuro.
- Verbalizar — compartilhar a experiência e indagar sobre a experiência dos demais; identificar padrões
- Interpretar — deixar a interpretação informar o próximo passo (não prescrever o que fazer)
- Apropriar-se — internalizar os aprendizados como próprios
- Experimentar — testar o que foi aprendido
Quando usar: Quando o passado não oferece modelos úteis; quando a mudança necessária requer transformar como se pensa e age, não apenas o que se sabe
O paradoxo do sucesso aplicado ao aprendizado
Nas carreiras e organizações mais bem-sucedidas, o aprendizado transformacional é mais difícil — não mais fácil:
- A pressão por desempenho atropela a necessidade de aprender
- A vergonha de exposição (“e se eu aparecer como deficitário?”) é maior quando mais se tem a perder
- O compromisso com o que funcionou no passado é mais forte
Paradoxalmente: mais sucesso → mais resistência ao aprendizado transformacional.
Conexões
- Contexto: Carreiras Não-Lineares, Liderança, Gestão
- Relacionado: “Aprender, desaprender, reaprender” (Alvin Toffler) — desaprender é o trabalho do aprendizado transformacional
- Complementar: Práticas Icônicas — práticas icônicas são o que bloqueia o aprendizado transformacional em organizações
- Contraste: 5 Condições para uma Cultura de Experimentação — a condição de “cultivar curiosidade” cria o espaço para aprendizado transformacional
Fonte: Coleção Líderes Customer-Centric - MIT Sloan e HSM — Gianpiero Petriglieri (INSEAD)